De 2010, The Tatami Galaxy (Yojouhan Shinwa Taikei) se destacou e ainda se destaca devido ao seu estilo diferenciado, tanto no desenho/animação quanto nos roteiros. A tendência é de que de coisas novas e diferentes sejam duramente criticadas e pouco aceitas pelos espectadores, mas por incrível que pareça, esse anime, mesmo com a relativa baixa repercussão na internet brasileira, parece ter agradado a maior parte das pessoas que ousaram assisti-lo.

Baseado na Light Novel de mesmo nome, de Tomihiko Morimi, o anime segue um protagonista sem nome em sua tentativa de viver tempos áureos durante sua faculdade, idealização que ele chama de “campus cor-de-rosa” e todo o seu sucesso em consegui-lo depende primeiramente do de que clube escolar ele escolher (algo como “círculos sociais” que desenvolvem uma atividade especifica). Porém parece que sempre as coisas saem do controle e acabam resultando em algo desagradável, fazendo assim que o protagonista se arrependa de sua escolha e o tempo volte para o momento de sua decisão dando-o a chance de tentar novamente. Esse processo se repete várias vezes.

The Tatami Galaxy é um anime bastante incomum, “quebrador de regras” e com certeza bastante difícil de se assistir. A arte, em primeiro lugar, é totalmente fora do que costumamos ver. Composto de cores fortes e contrastantes que juntas com os traços incomuns compõem um visual que é no mínimo exótico, para não dizer extravagante. Algo que não é ruim de todo. Claro que causa um estranhamento, mas chega a ser positivo por permitir maior liberdade artística aos produtores.

the tatami galaxy

Visualmente, o anime parece ter explorado todas as possibilidades do estilo que ele tem. Acredite, é bastante interessante (apesar de às vezes ser bizarro). Devido a essa liberdade artística foi possível expressar na arte, com uma boa exatidão, todo o sentimento e impressões pessoais do personagem principal. E houve um ponto da arte de The Tatami Galaxy que ganhou a minha admiração: A mistura do desenho em si com filmagens estilizadas. Ficou realmente bonito e interessante de se ver. Será que eles fizeram cenários baseados no desenho ou desenhos baseados nos cenários? De qualquer forma é muito legal. E volto a repetir: “apesar de estranho”, então pode muito bem desagradar outras pessoas.

Outra coisa que pode assustar muita gente é a velocidade da fala dos monólogos do personagem principal. Com certeza não é mole acompanhar. Muitas pessoas quando começam esse anime optam por ficar pausando e lendo as legendas (péssimas, aliás. Não consegui achar 1 fansub decente em português) e foi o que eu fiz até me cansar e desistir de voltar por frases que não consegui ler. Pros falantes de japonês isso pode ter sido até interessante. Talvez…

Agora o ponto principal: a trama.

A trama, como parte de um anime complicado, não pode ser menos do que isso. Logo de início não há como entender exatamente do eleque se trata. De cara, o primeiro episódio está repleto de referências à ideia principal da animação que será melhor apresentada no decorrer do anime. Naturalmente, a minha reação ao assistir o primeiro episódio foi: “…what?”. Realmente não dá pra entender de primeira. Só entendi do que se tratava depois do 3º episódio, quando desisti de tentar ligar os pontos entre eles e compreendi que na verdade cada episódio é uma vertente consequente à escolha do clube. Aí tudo fez sentido.

A partir dessa repetição desenvolve-se e expõe-se os personagens. Conhecemos todas as pessoas do circulo de amizades do personagem principal. E nesses temos que destacar Ozu, “o melhor amigo” e Akashi, “o alvo romântico primário”, os personagens que mais interferem e fazem parte das “derivações do destino”. Mas a evidência da trama não está neles e em nenhum outro, mas sim nas relações construídas entre o principal e os secundários e em como isso moldará o destino.

É interessante como em The Tatami Galaxy é mantido a originalidade dos personagens. Claro, a escolha do principal moldará como cada um será apresentado em cada episódio, mas o “molde” do personagem, sua personalidade e seu histórico de antes do começo dos episódios não é mudado de forma alguma. E é interessante pois às vezes somos apresentados superficialmente a certo aspecto dos personagens para só depois termos uma explicação melhor de como o ponto funciona.

the tatami galaxy ozu

Mas também temos um problema grave. Nessa história de repetições temos inteiros 9 episódios (no total, o anime tem 11) que convenhamos: por mais que os personagens sejam apresentados mais profundamente em cada episódio, a repetição se torna cansativa demais. é preciso reunir muito ânimo para ir até o final do anime. O final foi interessante e discordando dos comentários que li por aí, acho que não valeu a pena chegar lá. Não da pra assistir um anime inteiro na esperança de que o final será bom.

Fazendo o balanço: temos um anime com visual interessante e com uma ideia boa, apesar de que ela não sustentou os 11 episódios da série. EU não recomendaria este anime, apesar de que com certeza algumas pessoas o acharão interessante. Minha experiência com ele foi abaixo da média. Talvez contigo, leitor, seja diferente.

E para concluir, podemos tirar uma lição de The Tatami Galaxy: Pare de se preocupar demais em viver sua “vida cor-de-rosa” e comece a aproveitar as oportunidades que você tem para vivê-la e que só não são vistas por que você está preocupado demais em vê-la.

About The Author

Jornalista, aventureiro da internet e assistidor de desenho animado, Daniel Marques é brasiliense, tenta continuar sempre aprendendo e jura que é uma pessoa legal.

Related Posts

4 Responses

  1. Tabibito-san

    Hello Daniel Arquimedes!

    Estou a duvidar que alguém tenha predileção por ‘The Tatami Galaxy’ em detrimento de ‘Yojouhan Shinwa Taikei’.Excetuando isso,na Corrente ou eventualmente,Tatami Galaxy ou FLCL tem/teve mais de 2 aparecimentos,desafios a terceiros anyway.

    Pelo senso comum,experiência ou alguma pesquisa,os clubes mais populares no Japão são os de esporte ou música,cujos sáo aceitam pessoas com um certo nível.Contudo ‘circles’,aceitam os iniciantes ou praticantes or hobby,amadores,segundo minha pesquisa recente.Por outro lado,os EUA em suas películas tem (muito) o futebol com a idolatria do “Quarterback(Líderes da equipe ofensiva,dar início as jogadas e dar passes aos ‘wide receivers’)” e as cheerleaders para as garotas.

    O traço + cores acho que não me afastariam da ideia do anime,’http://weeabooswithcontrollers.com/wp-content/uploads/2012/03/gankutsuou-02.jpg’ que intriga no começo,vira uma experiência sobre dimensões(tipo 2 & 3D,sabe?).Um traço exótico até que expande as fronteiras da mente(^_^),vendo(acho que estou vendo) que os efeitos de computação gráfica não abandonam as pirações das pessoas.Já a locução acelerada(que por ventura me fariam protelar o assistir) + os menos eficientes Fansubs BR,esses sim,pegariam.

    No que se refere à trama,se a controversa leitura de legendas à velocidade da luz fosse um pouco mais acessível,possibilitaria ajudar… ou não interferir,ao menos(.?)HOWEVER,não fazendo o teste dos 3 primeiros episódios se faria necessário;diria algo do tipo quando falou “Só entendi do que se tratava depois do 3º episódio”.?Acho que recomendaria isso a quem já chegou ali.

    E retornando em pontos durante o que disse,um fansub brasileiro com legenda mais adequada,por acaso o fizesse ter subido mais no critério(Isto é um chute com base noutras opiniões,já que não assisti como meio que disse no fim do terceiro parágrafo).

    A minha impressão de agora é: Uma perspectiva induzida por clubes escolares excludentes que se correlaciona com “Efeito Borboleta” sem as onipresentes partes picantes.Será isso produção.? =p

    Quanto ao blog,a predominante cor amarronzada realmente dá aqui uma das ideias que o marrom tem,isto é,estabilidade.E olha que as margens são invisíveis ou as bordas são bem suavizadas(não que fosse essencial),todavia o espaçamento no geral corrobora com a ideia no senso da cor marrom.
    E sobre o textual,dei-me bem com tuas apreciações aproximadas da simultaneidade de gosto teu,gosto potencial alheio e gosto de quem produziu o anime do bloco Noitamina(11 episódios me disse isso).Abreviadamente,o feito observado até esse momento do blog é a organização com certa solidez e um ar de “não vou podar sua opinião”.No entanto,omitiu(Poderia ser esse o termo?) toda a parte da trilha sonora.

    P.S.: Para bem ou para o mal,o nick de Tabibito-san exprime que sou eu novamente,depois de ter comentado em “Papo de Cafeteria 5 – O Hipster, o Mainstream e o Underground”.

    Até a vista! 🙂

    Responder
    • Daniel Arquimedes

      Quanto a essa parte da arte do anime, como eu disse no texto, é realmente um bom ponto, apesar do estranhamento inicial, dando uma margem artística muito maior para o mesmo!
      Já quanto a trilha sonora, não falei sobre tal por que não me chamou atenção em momento algum, isso pode ser um ponto bom ou ruim, dependendo do ponto de vista. Obrigado pelas informações adicionais e por compartilhar o que achou do anime!

      Responder

Leave a Reply

Your email address will not be published.