Música é apaixonante. Ela, por meio de sons, consegue expressar sentimentos tão complexos que por meio da fala seriam impossíveis de expressar. Eu particularmente tenho um gosto muito grande pela música, e esse gosto, a alguns anos atrás, me despertou a curiosidade para os animes com o tema centrado nessa linda arte sonora. Porém, nessa minha nova “empreitada” eu tive péssimos exemplos do gênero. A experiência não foi de todo ruim, pois isso me fez entender como é difícil  produzir um anime musical que apesar do gênero mantêm a qualidade do roteiro. E Sakamichi no Apollon me mostrou que “difícil” não significa “impossível”.

Sakamichi no Apollon conta a história de Kaoru, um garoto que devido a problemas familiares foi morar com alguns parentes. Kaoru nunca foi um cara que se dava bem nos relacionamentos. Nunca conseguiu ter amizades duradouras nem se dar bem com seus familiares. Agora, morando em uma outra cidade com pessoas com quem ele não se entende, não há nenhum motivo aparente para que sua situação mude. Mas a vida de Kaoru muda de rumo quando ele conhece Ritsuko e Sentaro e o destino começa a usar a música para uni-los.

Sakamichi no Apollon Kids on the Slope opening sentaro

Logo de cara o anime já chama a atenção por conta do visual, o qual é bastante diferente do que costumamos ver. Os traços são mais sóbrios e realistas, coloridos por cores menos chamativas e tão sóbrias quanto o traço. O visual dos personagens é totalmente diferente do que costumamos ver em animes com personagens no colégio (ou qualquer outro anime com adolescentes). Os personagens adolescentes realmente parecem com adolescentes. Mas nesse ponto também podemos citar algo que me pareceu ruim: o anime não se decide totalmente entre o visual realista para os personagens ou mais estilo “anime”. Os detalhes no cenário também chamam a atenção, como por exemplo a textura da madeira e as pequenas (ou grandes) deteriorações nos objetos. Devemos o visual e a animação à Yoshimitsu Yamashita (o mesmo que trabalhou em Canaan e Bleach).

E não somente o visual que tem esse tom realístico. Todo o contexto da trama é cercado por detalhes que dão um ar mais verídico à série. Podemos citar como exemplo o contexto dos anos 60 no Japão que é muito bem retratado. Os militares americanos no país, o efeito disso na sociedade nipônica, todo o purismo que era esperado das meninas da época, a condição financeira de Sentaro…

Algumas pessoas que não assistiram todo o  anime poderiam se enganar dizendo que a trama é muito clichê ou superficial por apresentar o típico “romance colegial”. Mas com um pouco de espera pode-se ver a solução desses “problemas”. Ótimas subtramas se aproveitam do contexto histórico do Japão da época para dar mais seriedade, movimento e filosofia à série.

Sakamichi no Apollon Kids on the Slope opening junichi

Um exemplo é a história de Junichi, o trompetista do grupo de Kaoru. O personagem se envolve com protestos de ativistas que são contra a permanência dos soldados americanos no país e acaba mal visto por isso. Tudo se complica com o amor de Junichi por Yurica, uma colegial cuja família a proíbe de se relacionar com ele por querer que ela se case com alguém de um “nível maior”.

E apesar de simples a trama principal não é de nível menor. Ela possui um ar mais shoujo e apresenta o romance entre os personagens principais e como a música esteve presente na vida deles fortalecendo suas amizades. E o final… Inimaginável. Porém, o fato de não estarmos esperando um fim daquele modo (não que seja ruim) se juntou com muitos outros fatores para dar para a animação um ótimo final. (Devemos o roteiro à Yūko Kakihara)

Todos os pontos e pontas da trama se unem em um fator: O Jazz – ritmo que dá corda, cor (ou som) e ação à toda a animação. Músicas de nível altíssimo (as quais devemos à Yoko Kanno) despertaram meu interesse or esse gênero musical. Foi tão belo que toda a trilha fui reunida em um CD com as músicas e OST do animes, o qual eu recomendo muitíssimo. (Se quiser uma demonstração CLIQUE AQUI)

Enfim, é um ótimo anime. Recomendadíssimo. Garanto que pelo menos após os dois primeiros episódios você vai ser conquistado por ele e não vai conseguir ficar sem assistir até o final.

Sakamichi no Apollon Kids on the Slope opening Ritsuko

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Jornalista, aventureiro da internet e assistidor de desenho animado, Daniel Marques é brasiliense, tenta continuar sempre aprendendo e jura que é uma pessoa legal.

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4 Responses

    • Daniel Arquimedes

      Obrigado! 😀

      Já faz um tempão… Lembro de ter assistido Beck e não gostado nada. Mas como eu já disse, isso já faz alguns anos e Sakamichi no Apollon me convenceu a re-assistir e ver se tenho outra conclusão dessa vez.

      Obrigado pelo comentário! 😀

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  1. Pedro Silva Lima (@opedrosilvalima)

    Boa resenha, estou terminando de ver o anime e achei muito bom também. Não conhecia animes musicais e este me surpreendeu positivamente. Gostei da descrição visual que você fez, uau, não tinha reparado em tantos detalhes. O que mais me pegou, além da excelente música, foram as relações interpessoais dos vários núcleos, apesar de que às vezes aquele negócio de romancezinho colegial japonês me enche o saco! Enfim, personagens excelentes e uma bela trama, regados por jazz de altíssimo nível são os ingredientes de Sakamichi no Apollon. No meu caso, contrariando o que você disse, não fiquei tão empolgado com os dois primeiros episódios, mas foram o suficientes para continuar assistindo e, aí sim, ser surpreendido (destaque para o episódio 7). Abraços e sucesso!

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    • Daniel Arquimedes

      Obrigado pelo comentário, Pedro!

      Eu não fiquei empolgado com os dois primeiros episódios. Eu quis dizer que me empolguei depois dos primeiros dois episódios pois eles são um tanto desanimadores. Mas depois foram só agrados.

      ^^

      Responder

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