Esse ano, repetindo o acontecimento do ano passado, se figura na lista dos indicados ao Oscar de Melhor Animação mais uma produção nipônica. A quarta animação japonesa da história a concorrer ao prêmio – e também a quarta do famoso Estúdio Ghibli -, O Conto da Princesa Kaguya segue a tradição trazendo grande beleza em sua estória de fantasia e, claro, possui grandes chances na acirrada disputa.

Dirigido por Isao Takahata, o longa adapta para o cinema a lenda japonesa Taketori Monogatari (A lenda do cortador de bambu) e conta a estória de Kaguya, uma criança achada por um cortador de bambu dentro de um pequeno broto. O cortador, na medida em que a menina cresce, descobre dentro de outros brotos grande quantidade de pepitas de ouro e com muita felicidade interpreta isso como a manifestação do desejo dos céus que a garota por este enviada tivesse uma vida de luxo, digna de uma princesa.

Quem começa a assistir O Conto da Princesa Kaguya logo se impressiona com a arte, que se afasta totalmente do estilo comum dos longas animados modernos que sempre buscam usar recursos digitais cada vez mais tecnológicos. Nesse filme, a simplicidade é a palavra de ordem. O visual é composto totalmente por desenhos à mão coloridos em aquarela, complementando a ideia original do filme e dando à obra grandíssima beleza e uma identidade bastante marcante.

Kaguya 

O espectador é surpreendido, ainda, pela capacidade que o filme possui de imergir quem assiste nos sentimentos das cenas e personagens, talvez pela temática que reflete um sentimento de certo modo incrustado em todos: quem nunca desejou poder abandonar uma vida de rotinas, tradições e “rituais” em prol de uma vida simples, mas feliz? “Qual é a real fonte da felicidade?”, o filme faz indagar.

O longa de Isao Takahata nos traz o questionamento sobre o preço de uma vida de luxo e riquezas, além de criticar de modo firme alguns costumes e tradições da nobreza japonesa, valorizando fortemente o bucolismo da vida campestre. Kaguya nos envolve em suas dúvidas, desejos e tristezas, demonstrando a grande sinceridade impressa nos personagens. O filme frequentemente recorre à subjetividade dos personagens na representação de algumas cenas mais emocionalmente intensas.

O Conto da Princesa Kaguya é uma re-estreia de ouro para Isao Takahata, que não dirigia produções do estúdio desde 1999, e com certeza entra para a lista de sucessos da produtora. Emocionante e envolvente, é um filme belíssimo sobre a simplicidade da felicidade.

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Jornalista, aventureiro da internet e assistidor de desenho animado, Daniel Marques é brasiliense, tenta continuar sempre aprendendo e jura que é uma pessoa legal.

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2 Responses

  1. Crestomanci Tássio Sam

    Esse filme me encantou, fascinou e emocionou extremamente! É um filme tão maravilhoso que merecia muito mais visibilidade e valorização do que recebeu até agora! Gostei muito da crítica, mas…

    “O Conto da Princesa Kaguya é uma estreia de ouro para Isao Takahata, novato no Estúdio Ghibli,”
    Isso foi tão errado! É quase um pecado falar uma coisa dessas! Isao Takahata é um dos fundadores do Studio Ghibli, diretor de ótimos filmes desse estúdio, mais velho em idade que seu colega de estúdio Hayao Miyazaki e foi para este um “professor” na área da animação. O Conto da Princesa Kaguya inclusive é o último filme de sua carreira. Por favor, corrijam isso o mais rápido possível!

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    • Daniel Arquimedes

      Olá Crestomanci!

      Muito obrigado pela correção! Peço desculpas pelo erro. Minha culpa. Fiz uma leitura equivocada de outro artigo e essa informação errônea se fixou na minha cabeça. O texto será corrigido agora mesmo.

      Responder

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