O mundo está repleto de mitologias diferentes, prontas para ser exploradas pelas tão amadas animações, uma das formas de manter viva a fagulha que não deixa que as antigas fábulas sejam completamente esquecidas nas prateleiras de bibliotecas regionais e na cabeça dos mais velhos.

Dessa vez, tivemos a sorte de conhecer um pouco mais da mitologia Irlandesa (e em parte, celta) em “Canção do Oceano” ou “Song of the sea”. A animação Longa-metragem feita pelo Estúdio Cartoon Saloon chamou atenção, concorrendo ao Oscar de 2015 como melhor animação, além de outras 20 nominações que ganhou em outros festivais.

A animação conta a história dos irmãos Ben e Saroise (Lê-se Sirúcha, no caso, o segundo nome, o Ben você lê Ben mesmo #piadinha). Aos seis anos, Saroise descobre ser uma Selkie (uma espécie de sereia-foca) e parte em uma jornada com Ben para salvar o mundo espiritual que está sendo petrificado por uma Deusa-Coruja, enquanto corre o risco de morrer, caso não complete sua “transformação”.

Saroise virando selkie

O filme se destaca principalmente pelo uso de mitologias irlandesas como Selkies (Focas que se transformam em pessoas), Fadas (em uma versão que se assemelha mais a duendes), contadores de histórias mitológicos, gigantes e uma Deusa-coruja. É possível notar a forma respeitosa como os roteiristas tratam as fábulas, criando uma história cheia de conceitos inteligentes e sensíveis que acrescentam as ideias das antigas histórias adaptando-as a um mundo “atual”.

Mas não é apenas pelos conceitos bem explorados que a animação ganha seus pontos, seu estilo pode facilmente ser assimilado a palavra “incrível”, feito em animação tradicional (desenho à mão, quadro a quadro), Canção do Oceano tem um visual sensível e elegante, além de cenários conceituais que mais parecem quadros de pinturas.

A trilha sonora é bem desenvolvida, contando com uma música tema com letra do conto “The Stolen Child” (A criança roubada) do poeta irlandês, William Butler. (Viu? Eu pesquisei.) Além de outras músicas que lembram as canções nórdicas mais calmas.

Grande Seanachaí e Ben

O roteiro desenvolvido para o longa animado é consistente e cheio de referências para os que entendiam previamente dessa pequena parte da mitologia nórdica, mas também consegue passar os conceitos de muitos seres mitológicos de forma simples e didática, onde nem os nomes irlandeses dificultam esse processo de familiarização com a cultura que o filme apresenta.

Suas adaptações são para melhor desenvolvimento da história, e apenas contribuem para um melhor entendimento da mitologia, ao exemplo do Grande Seanachaí, um contador de histórias que nunca esquece de nada, atuando como “biblioteca oral” em sua versão original, foi transformado em um ser que não consegue se lembrar das coisas, mas em seus cabelos, crescem fios que mostram todas as histórias de seu povo. Uma modificação de certa forma radical, mas que cria um lindo visual e um ótimo conceito de fios que crescem à medida que um ser vive e cria sua historia de vida.

Ben e Saroise

A palavra que melhor descreve o filme é “Sensibilidade”, ele não conta apenas histórias de fadas-duente e meninas-foca, sua história se movimenta em cima de uma família com cicatrizes da perda de uma mãe que ainda doem e a superação da perda, trata da relação entre irmãos e o sentido de proteção familiar.

O público alvo da animação é a família, e aliado a muita cultura, uma arte excepcional, uma ótima trilha sonora e um roteiro conciso e claro, esse longa vai agradar desde seu pequeno filho caçula, até a sua avó.

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Criador de conteúdo online desde pequeno, continua pequeno, mas com pelos na cara e habilidades em design. André Wallace gosta de tudo o que se movimenta em uma tela, nem que seja o cursor do mouse.

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