Todos sabemos o que acontece quando videogames ou brinquedos resolvem se aventurar no cinema: fracassos em diferentes níveis, mas Uma aventura LEGO resolveu quebrar essa tradição e tirar leite de pedra. Ou melhor, de LEGO.

Para aqueles que vivem em outro mundo, LEGO é nada menos do que a pioneira e mais famosa marca de pecinhas de montar. Nascida de um criador de brinquedos na Dinamarca nos tempos dos nossos avós, é até hoje um dos brinquedos que mais estimulam a criatividade, lógica e imaginação de crianças e adultos. Como é possível ver nessa animação que a própria LEGO fez em seu aniversário de 80 anos da empresa.

As possibilidades do brinquedo são praticamente infinitas e o limite é a imaginação (ou o número de peças que você consegue comprar). Não à toa você pode ver na internet desde construções gigantes até máquinas funcionais criadas com LEGO e a ajuda de alguns cabos de energia e coisas do tipo.

Mas os mundos do brinquedo não se resumem apenas em montar estruturas e engenhocas divertidas; a empresa também se aventura – e muito bem – nos videogames, com as mais diversas temáticas: Batman, Star wars, Marvel, Indiana Jones, Harry Potter e O senhor dos anéis.

Embora não seja a primeira vez que a LEGO aparece de forma animada – há algum tempo já existem programas infantis como A lenda de Chima, Ninjago e alguns curtas animados que passam entre outros desenhos -, esta é a primeira vez em que a LEGO traz um filme diferenciado, tanto em sua produção quanto em sua divulgação e distribuição, sob a direção de Phil Lord e Christopher Miller.

Uma aventura LEGO não recebeu muito crédito como uma estréia digna de cinema, conseguindo a atenção apenas dos fãs do brinquedo e crianças, apesar de seu pesado investimento em divulgação. Mas o filme começa a diferenciar-se logo pela sua animação em stop-motion, que insiste em uma técnica de montar a cena, modificando os personagens e criando os quadros um a um ao melhor estilo A fuga das galinhas, mas com pecinhas, aliada a ótimos efeitos gráficos que, por exemplo, movimentam os rostos de tinta dos personagens.

Diferente das animações anteriores e até mesmo dos jogos em que as pecinhas podem se dobrar de formas que o brinquedo não é capaz de fazer na realidade atual, o visual do filme opta por usar as peças em sua forma real e imutável, abusando de cenas frenéticas para manter os espectadores ligados a tela com tantos poucos movimentos dos personagens – ou seja, se qualidade não é uma opção, melhor recorrer à quantidade. – Toda essa animação frenética dos vários elementos na tela pode desagradar algumas pessoas, mas serviu bem ao seu propósito e merece reconhecimento por não deixar você dormir enquanto assiste peças duras pulando.

O mais surpreendente do longa de pecinhas é seu roteiro, que aparenta ser muito infantil e pouco preocupado em fazer sentido ou chegar em algum objetivo que não seja fazer piadas a cada minuto, porém, com o passar da história, e principalmente seu fechamento, o filme consegue trazer coesão e veracidade pra tudo o que lhe é apresentado durante o longa. Inevitavelmente a história e várias de suas piadas fazem muito mais sentido pra quem viveu uma “época LEGO” em algum período da sua vida, não importa qual seja, mas também pode agradar a quem assiste o filme tendo em mente que existe toda uma cultura e formas diferentes e contrastantes de utilização das pecinhas de montar.

O filme não prometia muito, mas realmente “conseguiu tirar leite de LEGO” em uma história muito bem desenvolvida, que agrada crianças e adultos, principalmente os ligados emocionalmente com a marca – que são muitos.

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Criador de conteúdo online desde pequeno, continua pequeno, mas com pelos na cara e habilidades em design. André Wallace gosta de tudo o que se movimenta em uma tela, nem que seja o cursor do mouse.

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