Como os desenhos animados são legais! Com eles podemos representar ideias mesmo sem elas existirem ou acontecerem na vida real. Robôs gigantes, exércitos em formação, prédios explodindo ou animais que dançam lambada são representações facilmente construídas através de desenhos. E a cada evolução tecnológica, mais uma infinidade de possibilidades surge. Agora, o cinema de animação vive uma nova fase com a Computação Gráfica.

“Computa…” o que?!

Computação Gráfica (ou CG, para ser mais prático) é a área que estuda a transformação dos dados em imagem, tanto para programas de computador quanto para jogos e cinema.

Efeitos de luz, personagens tridimensionais, mesclagens de vídeo e retirada e inserção de elementos numa película de filme são considerados CG. Porém, uma vez que o CG dispensa que o objeto seja “filmado”, criando imagens e movimento por um método alternativo, podemos considerar computação gráfica como uma espécie de animação?

O mercado profissional de animação é bem dividido nessa questão; alguns profissionais da área chegam a considerar isso como “trapacear” no jogo. Defendem que a animação deve ser feita manualmente para que seja considerada uma animação propriamente dita. Essa discussão vem se prolongando por toda a história da produção audiovisual até os dias de hoje.

O histórico do problema

Para citar alguns exemplos, em 1937 a companhia Walt Disney lançou seu primeiro longa animado, A branca de neve e os sete anões. A animação foi feita baseada em rotoscopia, um método de animação em cima de gravações de pessoas reais. Walt Disney proibiu que essa informação fosse divulgada na época porque a técnica poderia ser considerada “trapaça”.

Em 2002, O senhor dos anéis ganhou seu primeiro Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Os profissionais da área queriam invalidar esse prêmio, porque a animação de Gollum, responsável por ele, foi feita com MoCap, a captura dos movimentos corporais e faciais de um humano real e posterior aplicação em um modelo animado.

Captura de movimento Gollum, Sméagol, MoCap, Motion Capture

Exemplo de captura de movimentos do Filme O hobbit sucessor de Senhor dos anéis, com o mesmo ator e personagem que gerou a discussão do Oscar de efeitos especiais.

Em ambos os casos, percebe-se que a inclusão de tecnologia para facilitar ou agilizar o trabalho e relacionar o processo de produção com humanos reais costuma ser interpretada como perda do conceito de animação.

Afinal, é ou não é?

O que descategoriza o CG como animação, segundo estes profissionais, é a sua relação com o “live action”. Os filmes de Transformers podem ter quase toda sua produção baseada apenas em CG, sendo praticamente animados por completo, mas a inclusão de pessoas reais, aliada ao “nível realístico” do CG, o descaracterizaria.

Existem, no entanto, filmes completamente baseados em Computação Gráfica como Bewolf, mostrando que uma animação pode ser feita manualmente, mesmo sendo realista. Essa é uma discussão que está longe de acabar, os métodos de animação/CG mudam constantemente e sempre haverá defensores e acusadores para cada mudança.

Mesmo com tecnologias e modelos humanos envolvidos no processo, o princípio do CG ainda é o mesmo da animação tradicional, apenas o material e a metodologia mudaram.

Tecnicamente falando, nada nos impede de entender CG como animação em seu cerne, nos indicando que sim, CG é animação.

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