É muito fácil encontrar alguém que simplesmente repudia os animes – aquele tipo de pessoa que não consegue nem considerar a ideia de assistir um episódio. Pode conversar de cinema, de música, e até de animação ocidental, mas é só ouvir “anime” que o nariz torce. Por que isso acontece? De onde vem essa barreira?

O que acontece é o mesmo que ocorre ao universo da animação em geral: o estereótipo. Vemos uma característica que nos é comum e a colocamos como regra. É muito fácil estereotipar a animação como um conteúdo infantil, por exemplo, uma vez que as animações mais populares realmente focam esse público em específico.

Agora, pense nos animes que conseguiram atingir o grande público brasileiro. O que têm em comum aquelas produções que circularam pela TV aberta já sob a alcunha de “anime”? (Exclua aqueles animes como Hantaro. Duvido que alguém que assistia o desenho na época da TV Globinho sequer sabia o que era um anime.) Nesse hall de conteúdo, temos basicamente shonens – isto é, aqueles animes voltados para o público adolescente ou mais novo, e principalmente masculino, e às vezes um shoujo  – voltado para o público feminino. Assim como todos os filmes voltados para um mesmo público tem vários pontos em comum (Nicholas Sparks que o diga), assim também são os animes. O paradigma se instala quando somente um nicho de produção atinge o público. Quem não gosta desse tipo de narrativa não terá a noção de que “anime” vai além de Naruto, Dragon Ball Z, One Piece e afins.

anime assistindo tv

Há, ainda, um outro fator: o modo como os animes chegaram aqui. Muito antes de o público geral saber o que era um anime, já havia quem estivesse ligado nesses conteúdos e que pesquisasse sobre esse mundinho. Para os pioneiros da animação japonesa, ver esses conteúdos era algo que os diferenciava dos demais. Aí surgiram os tais otakus (me refiro à concepção ocidental da palavra). E acontece que estes, querendo ou não, fizeram barulho e chamaram a atenção das outras pessoas para os animes. Porém, acabou-se por criar uma ligação entre essa “tribo” e todo o conteúdo animado no Japão. Anime, agora, era coisa de otaku. Se você não se identifica com os otakus, por quê ver anime?

É um erro, contudo, ligar os animes a um gênero (ou faixa demográfica) e/ou a um grupo. Não assistir animes por esses motivos é um preconceito que te priva de conhecer bons conteúdos e que, sim, correspondem aos seus interesses. Dizer que não gosta de animes é tão estranho quanto dizer “eu não gosto de filmes” ou “eu não gosto de música”. O mundo dos animes não é nada mais do que uma plataforma e que, inclusive, não deveria estar separada conceitualmente em nossas cabeças do resto do universo das animações.

Você gosta de romances clichês? Há animes assim! Gosta de romances incomuns ? Há animes assim! Gosta de ação, ficção científica, fantasia, qualquer outro gênero? Há animes assim!

Anime não é um gênero; é uma plataforma que embarca os mais diversos tipos de produções, cada uma para um público específico.

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Agora larga de preconceito e traz todo mundo pra ver anime!

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Jornalista, aventureiro da internet e assistidor de desenho animado, Daniel Marques é brasiliense, tenta continuar sempre aprendendo e jura que é uma pessoa legal.

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