Representações desenhadas sempre estiveram presentes no dia-a-dia das pessoas, auxiliando no entendimento de ideias e/ou na transmissão de mensagens. Porém, em algum ponto do trajeto que deu vida aos desenhos, foi preciso que os produtores escolhessem o público-alvo de suas produções. Aparentemente, nesse ponto, as animações ganharam faixa-etária.

Hoje, é muito comum que adultos tenham certo preconceito com a animação. Já imaginou seu pai indo ao cinema sozinho para assistir “desenho animado”? (“Desenho animado”, no linguajar comum, designa qualquer tipo de animação). Tal comportamento pode ser resultado de uma longa trajetória histórica dos estúdios de animação, como a Disney e a Warner, que, desde suas concepções, procuravam alcançar o público infantil, (e pela falta de sucesso dos estúdios que visavam o público jovem/adulto), criando assim o tabu “você é velho demais para ver desenho”.

Com o tempo, a indústria da animação se desenvolveu e ultrapassou esse tabu, mas o público infelizmente não parou para notar alguns detalhes:

Qualidade Estética

Um ponto é certo: Para uma criança sem “paladar estético” desenvolvido, muitos pontos que usamos para medir a qualidade de uma animação simplesmente não são importantes. Analise desenhos como Max Steel ou Homem Aranha: Sem Limites (1999). Pelo sucesso que têm com o público infantil: Sabemos que qualidade de animação, notada também na presença ou falta de atenção aos detalhes, não é um fator que recebe tanta atenção.

Valente, Merida, atirando flecha

Valente, exemplo de animação de excelente qualidade gráfica.

Por outro lado, animações como Valente, Frozen ou Mundo de Gumball são feitas com tal esmero que só podem ser completamente apreciadas por pessoas mais velhas. Se o público infantil não liga para os fatores que nesses desenhos são trabalhados com afinco, só podemos deduzir que tais animações também miram, e com bastante sucesso, o público adulto. Existem elementos na animação que também podem interessar a um adulto.

Complexidade Narrativa

Também tenha em vista roteiros complexos como DivertidaMente, repletos de camadas de entendimento. Uma criança só é capaz de entender a mensagem principal e se divertir com o filme, enquanto um adulto pode “descascar” todas as camadas de roteiro da animação para ter uma melhor experiência com este “desenho infantil”.

Desenhos com temáticas simples como Toy Story ou Como treinar seu dragão, que passam mensagens claras para crianças, também atingem os adultos, e cabe ao roteiro tornar isso atrativo para ambas as faixas etárias.

Toy Story filme, Andy, Buzz e Woody

Toy Story, Exemplo de animação apropriada para todos os públicos.

Existem, sim, desenhos que em sua concepção são voltados para chamar a atenção especificamente das crianças (Pocoyo e Peppa Pig que o digam), mas animação não é uma exclusividade do público infantil. É uma forma de contar histórias, assim como os quadrinhos,  as músicas e os livros.

Não existe temática exclusivamente infantil; existe temática para todos os públicos. Então não se deixe levar pelos tabus dos conceitos de “infantilidade”. Assista desenhos e tire bons momentos dessas experiências se quiser.

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